Disfunção erétil e Redução da Libido
- Daniel Pires Vaz
- May 1, 2024
- 3 min read
Updated: Jun 6, 2025
Descubra qual a principal causa de disfunção erétil e como tratar de forma adequada
Pacientes de todas as idades procuram o consultório do urologista devido a queixas situacionais de disfunção erétil (DE). A questão é que o quadro traz preocupação apenas caso seja frequente e traga repercussões para a saúde sexual do casal.
Dentre os fatores de risco para disfunção erétil podemos citar Síndrome Metabólica, Hipertensão Arterial, Diabetes Mellitus, Doença Aterosclerótica, Priapismo prévio, Doença de Peyronie entre outros. O tratamento adequado dessas patologias previne a ocorrência da DE, além de evitar a sua progressão.
Outra etiopatogenia não orgânica se trata da causa psicogênica, que ocorre principalmente em adultos jovens e adolescentes. Devido ao receio de procurar um especialista ou vergonha do quadro clínico, a maior parte destes pacientes recorre ao balcão da farmácia, sendo hoje a maior parcela de consumidores de sildenafila (o famoso 'azulzinho'). O abuso dessas substâncias de forma indiscriminada traz riscos à saúde, principalmente ao coração.
A depender da história clínica do paciente, o médico urologista pode avaliar a necessidade de solicitação de exames complementares. Em pacientes com redução da libido associada, é importante uma investigação laboratorial avaliando os níveis hormonais. Caso o paciente tenha história de trauma peniano associado, uma cavernosografia ou Ultrassonografia Doppler Peniana poderia identificar uma fístula esponjocavernosa com fuga venosa. Em pacientes com histórico de aterosclerose e síndrome metabólica, muito provavelmente o quadro ocorre por insuficiência arterial.
Na situação do paciente não apresentar fatores de risco, ou ter sido excluídas causas orgânicas, a principal etiologia se torna a psicogênica. Desta forma, a psicoterapia ou terapia cognitivo comportamental traz grande auxílio à recuperação do doente. Em casos mais leves, o uso de bombas a vácuo com anel constritor também auxilia na manutenção da ereção por mais tempo.
Já nos casos com disfunção erétil mais grave, associada a um ou mais fatores de risco, é necessário um tratamento mais agressivo.
Costumo dizer que o tratamento da disfunção erétil se faz em uma escada. No primeiro degrau, temos o tratamento medicamentoso, iniciando por baixas doses de medicações inibidoras da fosfodiesterase-5; conforme a aceitação do paciente ou recorrência dos sintomas, as doses são ajustadas ou realizadas associações medicamentosas. Estas medicações apresentam contra-indicações médicas no que tange o sistema cardiovascular, então antes de iniciar o uso por conta própria, procure o médico urologista para esclarecer dúvidas.

Figura 1 - Esquema terapêutico para DE
Caso não surta efeito com o tratamento sistêmico, oferecemos um exame chamado TEFI (Teste de Ereção Fármaco Induzido), onde é realizada uma dose de agentes da segunda linha de tratamento, a injeção intracavernosa. Há ainda um grande tabu sobre o uso de medicações injetáveis no Brasil, ainda mais realizadas no órgão genital. A medicação é utilizada sob demanda, e a aplicação é demonstrada pelo profissional médico para que o paciente ou parceira realizem o procedimento em casa após. O tratamento tem grande eficácia, com baixa probabilidade de eventos cardíacos, porém com risco de priapismo.
Nos casos refratários ao tratamento medicamentoso ou injeção intracavernosa, ou em alguns casos específicos como Doença de Peyronie grave ou fuga venosa, o implante de prótese peniana é indicado. A cirurgia pode ser realizada via penoescrotal ou infrapúbica, e pode-se implantar próteses maleável (lâminas de titânio revestidas com silicone), ou próteses infláveis de 3 volumes, mais fisiológicas. Antes da programação cirúrgica é necessário avaliar expectativas do paciente, conversar com a parceira e realizar o controle adequado das comorbidades. A complicação pós operatória mais temida é a infecção, que cursa com a necessidade da retirada da prótese e perda da cirurgia.

Fig.2 - Prótese peniana maleável

Fig.3 - Prótese peniana inflável de 3 volumes
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