Ansiedade e Ejaculação Precoce
- Daniel Pires Vaz
- May 1, 2024
- 2 min read
Updated: Jun 6, 2025
Qual a duração normal de uma relação sexual? Será que estou levando prazer à minha parceira? Sou egoísta por gozar antes dela?

Patologia altamente prevalente, a ejaculação precoce atinge mais de 30% da população masculina, sendo que pode iniciar com sintomas na adolescência, mas acomete homens adultos jovens e idosos também.
Antes de definir a patologia, temos que entender alguns termos. O tempo de latência ejaculatória intravaginal (em inglês, IELT) define o tempo de duração desde a penetração vaginal até o orgasmo masculino com emissão do sêmen. Diversos estudos estimam o IELT mundial entre 5 e 6 minutos, ou seja, no inventário mental masculino, um tempo relativamente curto.
Para a definição de Ejaculação Precoce (EP), o paciente precisa cumprir alguns pré-requisitos. Inicialmente, o paciente necessita apresentar IELT menor que 1-2 minutos. Esse sintoma deve estar presente ao menos por 6 meses, de forma recorrente, em mais de dois terços das relações sexuais. Por fim, deve haver prejuízo da relação interpessoal entre o paciente e a parceira, ou percepção de irregularidade pelo paciente.
Existem 2 tipo de Ejaculação Precoce: a Primária e a Secundária.
Ejaculação Precoce Primária se refere ao paciente que desde a adolescência apresenta IELT curto, incluindo casos de ejaculação anteportal (antes da penetração). São quadros que podem incluir hipersensibilidade peniana, distúrbios sexuais associados e transtornos de ansiedade.
Já a Ejaculação Precoce Secundária ocorre em pacientes que previamente não apresentavam os sintomas, mas que após um determinado período iniciam o quadro clínico. Em pacientes jovens normalmente são associados a distúrbios de humor como depressão ou ansiedade; Nos pacientes mais idosos pode ocorrer associado a disfunção erétil e redução da libido.

O tratamento atualmente dispõe de ampla gama terapêutica. Inicialmente o paciente pode realizar manobras durante o intercurso sexual para melhorar seu IELT, como as técnicas de Start/Stop ou compressão glandar.
Nos pacientes com hipersensibilidade glandar, o uso de gel anestésico pode trazer alívio dos sintomas.
Já em pacientes com etiologia Primária ou Secundária associado a transtornos de ansiedade, é indicado que o paciente realize sessões de avaliação psicoterápica para entender melhor o seu problema. Nos casos refratários, a prescrição de agentes ansiolíticos é indicada.
Na atualidade há duas medicações indicadas para o tratamento da patologia, ambas com mecanismo de ação semelhante, mas selecionadas para casos diferenciados.
A paroxetina, um inibidor da recaptação de serotonina, é um potente agente antidepressivo, que age por 24 horas, trazendo alívio dos sintomas de ansiedade. Como efeito colateral, apresenta aumento do IELT, trazendo também alívio dos sintomas da ejaculação precoce.
Em bula, não há indicação específica para o tratamento da EP, sendo usado pelo seu efeito colateral. Como é uma medicação controlada, a maior parte dos pacientes também têm receio de uso por desenvolvimento de efeitos colaterais.
Já a dapoxetina, molécula semelhante porém de absorção e eliminação mais rápida, age após 3 horas da ingestão, com eliminação completa do organismo após 24 horas. É indicada para pacientes com EP sem evidências de transtornos de ansiedade, com menos efeitos colaterais.
Segundo os mais recentes guidelines, é a medicação de primeira escolha no tratamento do EP, sendo utilizada sob demanda. Ambas as medicações são tarja vermelha, sendo necessário prescrição médica controlada e acompanhamento.
Consulte seu urologista para saber qual o melhor tratamento para o seu quadro.




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